• Elizandra Souza

A difícil arte de perder peso

Uma das maiores dificuldades das pessoas que querem perder peso é aprender a lidar com sua ansiedade. A ansiedade aparece em forma de aceleração de acontecimentos, ou seja, a pessoa tem pressa. A ansiedade é um sintoma de antecipação, é como se a pessoa quisesse que as coisas acontecessem antes do tempo necessário ou possível. Com ansiedade não é possível esperar ‘cada coisa a seu tempo'.


Em função da ansiedade, que gera dificuldade em perceber os resultados, as desistências são recorrentes e a busca por fórmulas mágicas incansáveis. Por outro lado, pode gerar também aumento de peso ou aumento de outros vícios como uso de bebidas alcoólicas e cigarros. A mulher, por exemplo, costuma comer doces, principalmente chocolate, por causa da sensação de saciedade e prazer, característicos do açúcar. Além disso, discursivamente, o chocolate já adquiriu status, na nossa sociedade, de estabilizador de ansiedade.

As pessoas, em geral, ficam obcecadas por emagrecimento, pois seus moldes de forma corporal estão direcionados a artistas e modelos. Porém é muito difícil alcançar esses corpos, visto que o conjunto de características para obter determinados resultados é essencial como: genética, disponibilidade para exercícios, tipo de alimentação e outros tratamentos estéticos. Muitos artistas e modelos dependem de seus corpos para trabalharem, por isso, precisam manter o peso, a boa forma, os cabelos, a pele, sempre bonitos e vistosos.

Em muitos casos, para lidar com a ansiedade a pessoa procura um profissional que a auxilie nesta questão, como um psicanalista ou um psicólogo, principalmente quando esta ansiedade se coloca em diversas áreas da vida e acaba atrapalhando o desenvolvimento mais saudável da vida profissional e pessoal. Mas, em outros casos, com um bom planejamento é possível controlar a ansiedade. Este planejamento significa traçar metas e objetivos com prazos e métodos determinados, como quanto quero emagrecer e em quanto tempo, qual será a dieta seguida, quantas vezes por dia deve alimentar-se, o que comer em cada refeição, quais dias e horários serão reservados para atividade física, etc. É importante lembrar que um bom planejamento reconhece as limitações do corpo, do tempo e do espaço. É necessário ser realista.

Nem sempre existe a necessidade de medicação para perder peso. Somente um profissional pode avaliar a necessidade de medicação, mas vale lembrar que toda medicação é invasiva e mexe com o organismo. Deve-se primeiro tentar dietas, bem orientadas, que reorganizam a forma de se alimentar e a quantidade de alimentos. Nos casos em que estas dietas aliadas a atividades físicas não estão sendo satisfatórias, aí é possível pensar em medicação, prescrita por um médico especializado.

Evitar a automedicação é algo que estamos mais que acostumados a escutar, contudo sabemos que esta não é a prática mais utilizada pelos viciados em emagrecimento. Uma medicação errado pode não trazer os resultados desejados e até piorar o que já não está bom. Além disso, alguns medicamentos causam dependência quando usados de forma incorreta ou por um período longo.

Lidar com as insatisfações e a ansiedade não é uma tarefa muito simples, pois há necessidade de aprender a lidar com outras questões como os sentimentos, as emoções, os conflitos internos, ou seja, tudo aquilo não apresenta afetação ou lesão física. Uma dessas formas é a psicanálise. A pessoa que quer aprender sobre seus conflitos e suas insatisfações para resolvê-los precisa de um profissional, pois isto não é possível sozinho.

Alguns pacientes, depois de alguns meses de análise começam a emagrecer, mesmo não sendo esta uma reclamação psicanalítica. Começam a emagrecer porque saem da fixação em ‘estar gorda', entendem melhor o funcionamento do seu organismo e são realistas em relação ao seu corpo e até onde podem chegar.

A psicanálise não atua exatamente na perda de peso, isto é uma consequência do trabalho e reconhecimento, reconstrução e reorganização que a análise faz, assim como a melhora da autoestima e a aceitação da autoimagem também são consequências do trabalho psicanalítico.

A ansiedade pode gerar transtornos alimentares e os mais conhecidos são anorexia e bulimia, mas a obesidade também é considerada um transtorno alimentar. Ainda que não se chegue a este ponto de transtorno, algumas pessoas apresentam sintomas relacionados  como ficar sem se alimentar durante um dia inteiro, fazer uso de laxantes, restringir aleatoriamente alguns alimentos. Porém a pessoa nunca consegue seguir exatamente uma dieta e por fazer errado, não tem resultado e acaba voltado a se alimentar como antes.

Outras questões a serem pensadas são relacionadas aos relacionamentos. A pessoa compulsiva por dieta acaba se tornando intransigente e chata, pois fica contando calorias em qualquer lugar, não consegue aproveitar uma festa, um almoço ou um jantar com amigos, acaba tendo assuntos somente relacionados ao corpo e às dietas e muitas vezes se isola para não participar de atividades que possam ‘engordar', como passeios, festas etc.

Estas atitudes geram desconforto tanto nos relacionamentos de amizade como nos familiares ou mesmo profissionais. A pessoa que não se alimenta corretamente tem problemas como desatenção, impaciência, cansaço, insônia, dores no corpo, mau hálito, entre outros. Reconhecer seus limites e suas possibilidades pode ser um bom começo para quem quer emagrecer 

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