• Elizandra Souza

Finanças no divã: a psicanálise do dinheiro

Depois que o prêmio Nobel de Economia foi dado a um estudioso que relaciona finanças com processos psicológicos, as pessoas começaram a prestar mais atenção no ser humano do que nos números quando o assunto é dinheiro.

Entender o ser humano e o porquê de suas atitudes financeiras se tornou o objeto de desejo das pessoas que trabalham com finanças e investimentos. Mas isto não é tarefa fácil, pois não é possível saber do sujeito, simplesmente, através de testes racionais. Não é possível querer olhar o sujeito como um objeto de apreensão total, como se fosse um robô altamente manipulável e que responde a comandos por simples ato de vontade. Há fatores que influenciam o comportamento financeiro que estão além da racionalidade. Para a psicanálise, algo do desejo inconsciente se revela na relação com o dinheiro, bem como atua na sua constituição subjetiva. Sem saber, a pessoa se enlaça em problemas financeiros que estão mais ligados a conflitos internos e à questão de “quem sou eu” do que por falta de fazer contas ou analisar gastos e investimentos. A realização do consumo satisfaz um modo de ser – ser alguém pela soma de objetos ou pela posição idealizada. Por outro lado, podemos entender, em algumas pessoas, que a necessidade de endividamento está ligada à uma dívida inconsciente, no sentido de “devo ao Outro”, onde este Outro está para além da personificação, pois só existe na relação do sujeito com ele mesmo. A maneira como o brasileiro lida com o dinheiro diz muito sobre a forma como olha para si mesmo e como se relaciona com o mundo. Os problemas relacionados ao dinheiro são, atualmente, questões trazidas para o divã como fundadores de outros conflitos e desordens. Quando há imaturidade em lidar com perdas financeiras ou com problemas de administração de dinheiro, o sujeito se sente impotente diante de si mesmo e nas relações com o outros. Questões como conflitos de relacionamento, patologias emocionais e até problemas sexuais podem ter suas origens nas finanças, ou mesmo levar a pessoa a dificuldades de lidar com o dinheiro. Portanto, àqueles que estudam e trabalham com finanças deverá restar o desejo de saber mais sobre quem é o sujeito que está diante de si. Aquele que continuar focando seu trabalho nos números e não se importar com os aspectos emocionais e psicológicos de clientes, funcionários e outros, não sobreviverá num mercado onde saber lidar com aspectos mais humanos e profundos são emergentes. Contudo, sabemos que não há mágica e cada profissional, no seu campo de atuação deverá buscar o máximo de conhecimento para satisfazer à demanda de “entender o outro como a si mesmo”.

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