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  • Elizandra Souza

Chegando ao limite!

Burnout: a síndrome que afeta os profissionais

Diante de tantas nomenclaturas inventadas ou designadas para as patologias modernas, surge mais uma, a síndrome de burnout. O que nos faz pensar se são as pessoas com determinados sintomas específicos que demandam nomes, conceitos e tratamentos diferenciados, ou se são a partir dos novos nomes de patologias que emergem mais doentes.


Quando relatamos os sintomas desta ou daquela patologia, qualquer um de nós se reconhece e, muitas vezes, até se autodiagnostica doente. Mas as condições gerais, que instauram as patologias da vida moderna, via de regra evidencia o descaso que os sujeitos têm consigo, com seus corpos, com seus sentimentos, com seus conflitos internos. A pouca importância dada ao ser por ele mesmo começa a ser a característica mais acentuada em diversas patologias que entrelaçam as questões físicas e psicológicas, implicando o sujeito num outro modo de operação comportamental e de deslocamento subjetivo. A síndrome de burnout refere-se a um conjunto de sintomas que ocorrem em profissionais que na dedicação intensa ao trabalho, tentam ultrapassar seus limites, até por desconhecimento, chegando ao colapso. Como na famosa frase “não agüento mais”. Para além do estresse, o burnout tem o sentido de exaustão crônica relacionada ao trabalho, onde profissionais vivem tensão emocional constante, são exigidos atenção constante e muitas responsabilidades. Além disso, existe um forte e constante sentimento de discrepância entre aquilo que o profissionais percebe, enquanto atividades realizadas e a percepção de não reconhecimento por parte de superiores, colegas ou outros envolvidos. As condições organizacionais nem sempre, ou quase nunca, permitem que o sujeito integre todas as suas dimensões subjetivas. As demandas profissionais em contraponto com as perspectivas de satisfação impactam na saúde do trabalhador lentamente, muitas vezes sendo invisíveis num primeiro momento ao sujeito. Cada profissão exige do sujeito um conjunto de recursos subjetivos e interpessoais para que possa exercer de maneira satisfatória seu trabalho, mas não indicam caminhos, meios ou instrumentos para produção do cuidado de si, se movimentando, então para um trabalho muito solitário e somente quando o executivo se dispõe integralmente a olhar-se. De acordo com Marx, o homem quando trabalha, põe em movimento as forças de seu corpo e imprimi sua forma ao trabalho, ao mesmo tempo que modificas os recursos da natureza externo, é modificado internamente. O trabalho faz parte do processo de construção do sujeito, participando do sentido dado por ele à vida. O sujeito se singulariza pelo trabalho e se identifica com o mundo. Custos com a não assistência, demora na procura de tratamento, de ajuda tornam os transtornos emocionais e subjetivos mais incapacitantes e prolongados. Questões políticas, sociais, éticas, culturais, econômicas inviabilizam a compreensão dos conflitos emocionais, ou seja, ainda há muito preconceito e uma certa crença em acreditar que tudo se resolve sozinho ou, simplesmente, que os problemas consigo mesmo passam. Hoje é extremamente evidente que o profissional não reage mecanicamente aos fatores externos de trabalho e que sua satisfação vai muito além das compensações salariais. A abordagem subjetiva é melhor avaliada e analisada nos processos de trabalho e de saúde profissional. Uma análise sobre o trabalho ou a profissão do sujeito, a partir da psicanálise, nos leva a pensar no quanto a carga psíquica pode ser fonte de prazer e bem-estar quando sua descarga é bem sucedida. E, por outro lado, quando há tensão demais, sem descarga possível, o desprazer se evidencia, gerando sofrimento. Isto significa aqueles acúmulos de atividades, decisões, atitudes, comportamentos, exigências que estabelecem os executivos com seu trabalho. Portanto, a insatisfação tem maior relação com o sofrimento do profissional e seus conflitos internos, que tornam obscuros muitos processos externos. A psicanálise contempla esta interrelação do interno e do externo, do físico e do psíquico, do comportamento e das emoções. Quando algo está acontecendo, em qualquer um destes aspectos, é importante que o sujeito se veja integralmente, ou seja, em todas as suas dimensões subjetivas e objetivas. O esgotamento surgido na síndrome de burnout afeta aspectos físicos, emocionais e cognitivos. Indicativos desta patologia são desatenção, nervosismo, fadiga, problemas cardíacos, ansiedade, disfunção digestiva, distúrbios do sono, intolerância, problemas respiratórios, tendência ao excesso de álcool, drogas ou medicação, aumento de colesterol, palpitações, dores, infelicidade, medo, insegurança. Sintomas que são comumente confundidos com o estresse, mas é muito mais que isto, pois as situações estressantes são crônicas e relacionados ao trabalho. As características da síndrome de burnout, segundo pesquisadores como Malash, Delvaux, Lambert, entre outros são:

1- exaustão emocional – energias esgotadas, sentem que não podem fazer mais, irritabilidade, cansaço, sinais de depressão e/ou ansiedade, propensão a acidentes, abuso de álcool, surgimento de doenças psicossomáticas.

2- despersonalização – sentimentos e atitudes negativas, insensíveis e de cinismo às pessoas, desconsideração das relações afetivas.

3- falta de envolvimento pessoal no trabalho – evolução negativa no trabalho, baixa auto estima.

4- Depressão – ausência de prazer em viver (breves, moderados ou graves).

Olhar-se, cuidar-se e procurar profissionais adequados são as primeiras iniciativas para um tratamento. Nunca abrir mão dos profissionais que trabalham com o psiquismo ou as emoções, pois mais do que tratar os sintomas, é necessário conhecer as causas e saber lidar com as dificuldades de transformação. E quando atingem o corpo, o físico é preciso procurar os profissionais indicados, como cardiologistas, gastroenterologistas, neurologistas, dermatologistas, principalmente para afastar qualquer indício de coisas mais graves.