• Elizandra Souza

O paterno e o materno em psicanálise

A existência do conceito de constituição do sujeito faz retomar a ideia dos constituintes desta formação, que se entende pelo fato dos seres humanos terem outros sujeitos como participantes primordiais de sua própria organização.


O humano é encarnado das construções de todos os outros sujeitos que o rodeiam, formando uma hereditariedade de constituições, atribuída aos emaranhados de posições, afetos, palavras e olhares que se presentificam num sujeito único.

De todas as possibilidades de interferências que os seres humanos estão sujeitos, as funções materna e paterna se figuram principais e não se esgotam na infância. Dali advém o sujeito.

O novo, porém velho. Que traz em si a constituição familiar. Aquele que primeiro se assujeita às inferências do outro, numa relação contínua de sujeito-objeto. Deve a criança ser a continuidade da mãe, que neste primeiro instante se sente inteira, como se fosse o filho aquilo que lhe completa. A criança é marcada desde o nascimento, pelos afetos, carinho e olhar materno, que possibilita a inscrição do desejo daquele que ocupa esta função tão fundamental. Na completude da mãe, a criança é parte e extensão desta, que se apropria dela até que aconteça o corte.

Nascem imersas num campo recheado de desejos e fantasias inconscientes dos pais, assim como suas renuncias e traumas que são carregados de imagens, símbolos e emoções.

A função materna caracteriza para o bebê a possibilidade de um amor e proteção constante e sem fim. Quando olhado amorosamente, sente-se seguro para fechar os olhos e dormir, por exemplo. A mãe ao amamentar, embalar e cantar deixa impressões eternas dos afetos que são transmitidos nestes momentos.

Apesar de parecer passivo o assujeitamento, cada marca se constitui como um movimento para fazer emergir um ser capaz da subjetividade.

A mãe tenta satisfazer a criança, e a satisfaz, primeiro com o biológico, pela amamentação, pelo alimento necessário, mas o faz, sem perceber, também, pelos seus afetos, seus desejos, seus sintomas, que se estendem ao filho para serem simbolizados. Nesta simbolização a criança pode apreender o fato crucial para sua existência: a ter sido ou não uma criança desejada. O pai exerce a função de corte da simbiose mãe-bebê para retirada da criança do assujeitamento materno e assim possibilitar a organização dos elementos que vão marcando e formando um novo sujeito. O pai, enquanto função, deve sustentar os atributos a ele conferidos pela mãe e se presentificar perante o filho para garantir a este a saída da totalidade materna.

A função paterna possibilita a inserção do sujeito na cultura. Na ligação primeira com a mãe, o sujeito não se move para além daquele mundo mãe-bebê, onde o acolhimento e o vínculo instaura esta posição de um ser do outro. Um como extensão do outro. As funções acima descritas são desenvolvidas pelas pessoas que rodeiam a criança ao nascer. Mesmo nas impossibilidades de se saber pai e mãe, há quem ocupe estes lugares a partir das primeiras inscrições e respostas da criança. As funções podem não recobrir o sujeito, ou não se efetuarem de forma esperada. O pai reestabelece para a mãe a posição de mulher, já que o filho não completa inteiramente a falta da mãe enquanto mulher, esta, então se desprende do filho para que este possa ser um na cultura. A ruptura materna atesta a criança como um ser não completo e por não ser completo existe algo que lhe falta. Nesta falta manifesta, se funda o desejo. Só existe desejo, se existir a falta.

As experiências fundamentais se estabelecem pela ruptura e pela falta, como a separação ao nascer, o momento do desmame, o afastamento materno pelo corte paterno, que possibilita ao sujeito a elaboração de sua subjetividade. É a esse conjunto de fatores da posição da mulher enquanto mãe e do homem enquanto pai, que existe para a criança a possibilidade de se tornar um sujeito desejante ou pairar na posição de objeto ou sujeito sem desejo – um nada.

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