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  • Elizandra Souza

O trabalho psicanalítico com bebês

A possibilidade de identificação de sinais de sofrimento no bebê é um dos grandes progressos da clínica atual. Existe uma unanimidade em considerar a psicopatologia do bebê uma perturbação do laço que une esse bebê ao seu cuidador pimordial. Existe possibilidades de trabalho psicanalítico envolvendo os bebês e seus cuidadores, assim como, as dificuldades afetivas acometidas pelas grávidas modernas, cercadas de objetivos e vontades nem sempre consonantes.

Os sintomas que mais apontam para a necessidade de um trabalho psicanalítico são aqueles que a medicina não encontra motivos ou quando as medicações parecem não trazer os resultados desejados, como por exemplo: recusa ao alimento, problemas com o sono, choros constantes e sem explicação, dificuldades na relação parental. Teóricos como Winnicott e Françoise Dolto, já discutiam a relação mãe-bebê, portanto esta abordagem não é tão nova. Hoje, um dos métodos mais conhecidos de observação é de Esther Bick. O tratamento na clínica psicanalítica com bebês implica na escuta paterna. Diferentemente do trabalho psicanalítico feito com crianças maiores, onde é possível fazer uma análise do simbolismo utilizados pelas crianças nos jogos, brincadeiras, desenhos, histórias. Com os bebês o trabalho é diferenciado, pois se instaura na relação. Durante a gravidez, uma mãe pode passar por conflitos por causa das transformações corporais e psicológicas, e ainda, cria expectativas sobre o bebê e sua relação com ele e com o marido, que muitas vezes não correspondem com a realidade depois do nascimento. A mulher é recheada de inseguranças e medos, que não consegue manifestar de forma adequada e sente que precisa de mais apoio do que geralmente recebe. Quando o bebê nasce, os pais são confrontados com a realidade, pois após o período de sonhos e fantasias, eles se encontram com o bebê real. Passam, então, ao exercício parental do cuidado, da exploração das emoções, do encontro com novos sentimentos. Por isso, as circunstâncias que rodeiam a gravidez, o nascimento e os primeiros momentos da vida do bebê podem ser psicologicamente desestabilizantes para os pais, mais precisamente para a mãe. A forma subjetiva que cada mãe carrega sobre sua vivência infantil, sua relação com seus pais, irmãos, avós, assim como as representações e traços que mantém direcionam a forma de como será mãe. Tal qual o bebê, antes mesmo de nascer já carrega sua história familiar e já é falado pelos entes, se constituindo, posteriormente, através de todas estas características. O comportamento do bebê tem ressonância com os pais ou cuidadores, mas principalmente com a mãe. Suas histórias de vida, suas formas discursivas, suas constituições simbólicas são fatores primordiais na representação comportamental do bebê. Os bebês precisam de alguém que exercendo a função materna, possa, além de trocar e alimentar, dar suporte afetivo às suas necessidades. Às vezes falta à mãe imprimir no seu filho a possibilidade de um sujeito. Muitas mães não conseguem dizer o que seus filhos querem ou por que eles choram. O trabalho com bebês supõe que elem se expressam e, apesar de não falarem, eles têm uma linguagem. O tratamento psicanalítico na clínica com bebês segue a via da relação, por isso não é uma escuta parcial ou unilateral, mas uma escuta de posicionamento. É necessário o entendimento de uma série de elementos que caracterizam esta relação bebê-pais, como por exemplo, o lugar que o bebê ocupa no discurso dos pais. Ao psicanalista cabe um tipo de intervenção que visa oferecer situações onde seja possível produzir efeitos para constituição deste bebê.